O que é o glioblastoma?

O glioblastoma é o tipo mais agressivo e frequente entre os tumores primários do Sistema Nervoso Central (SNC). Ele faz parte do grupo dos gliomas, que se originam das células da glia, responsáveis pelo suporte e proteção dos neurônios. O glioblastoma é um tumor difuso, infiltrativo e de alto grau (grau 4 segundo a OMS), conhecido por seu crescimento rápido, alto potencial infiltrativo e pior prognóstico em relação a outros tipos de glioma.

 

Classificação molecular do glioblastoma

Os glioblastomas são, por definição, IDH selvagem, ou seja, são caracterizados pela ausência de mutação no gene IDH. O glioblastoma IDH selvagem está geralmente associado a um prognóstico pior quando comparado aos astrocitomas IDH mutados, grau 4, que, embora também sejam tumores agressivos, tendem a ter um comportamento mais lento e melhor resposta a tratamentos.

 

Outros marcadores moleculares relevantes:

  • MGMT (O6-metilguanina-DNA metiltransferase): a metilação desse gene está associada a melhor resposta à quimioterapia com temozolomida.
  • ATRX, TP53, EGFR e TERT: são outros biomarcadores frequentemente avaliados.

Importante ressaltar que, atualmente, falamos do “nome e sobrenome” da doença. O “nome” refere-se à classificação histológica, enquanto o “sobrenome” é dado pelas alterações moleculares que caracterizam o tumor. Essas informações moleculares são essenciais na prática clínica de hoje, pois guiam as decisões terapêuticas e ajudam a personalizar o tratamento, além de oferecerem uma compreensão mais precisa do comportamento tumoral.

 

Faixa etária e localização

O glioblastoma é mais comum em adultos entre 50 e 70 anos, com discreta predominância masculina. Pode surgir em qualquer região do cérebro, mas os locais mais comuns são os lobos frontal, temporal e parietal.

 

Quais os sinais e sintomas?

Os sintomas são geralmente de início recente e progressivo, e variam conforme a localização e tamanho do tumor:

  • Crises epilépticas
  • Dores de cabeça
  • Déficits neurológicos (fraqueza, alterações na fala, perda visual)
  • Alterações cognitivas e comportamentais
  • Náuseas e vômitos (em casos de hipertensão intracraniana)

 

Como é o tratamento?

O tratamento do glioblastoma deve ser individualizado e multidisciplinar, envolvendo neurocirurgião, oncologista, radio-oncologista e equipe de suporte. As principais etapas são:

  • Cirurgia: ressecção máxima e segura, sempre que possível. A extensão da ressecção é um dos principais fatores prognósticos. Devido a sua natureza infiltrativa, é complicado falarmos em “ressecção completa da lesão”.
  • Radioterapia: indicada rotineiramente entre 2-4 semanas após a cirurgia. É padrão associá-la à quimioterapia (temozolomida) no protocolo atual mais amplamente utilizado (de Stupp).
  • Quimioterapia: a temozolomida é a droga padrão (via oral), utilizada concomitantemente à radioterapia e posteriormente como tratamento adjuvante.

 

Qual o prognóstico?

O glioblastoma é um tumor agressivo e os principais fatores prognósticos incluem:

  • Idade do paciente: Pacientes mais jovens geralmente têm um prognóstico melhor.
  • Extensão da ressecção cirúrgica: Quanto mais ampla for a remoção do tumor, melhor o prognóstico.
  • Estado funcional pré-operatório: Pacientes que apresentam boa independência funcional antes da cirurgia tendem a ter resultados mais favoráveis.
  • Perfil molecular: Fatores como a metilação do MGMT e o status do IDH são cruciais para definir o tratamento e o prognóstico. Tumores com metilação do MGMT, por exemplo, respondem melhor à quimioterapia.

Pacientes jovens, com ressecção ampla, bom status funcional e metilação do MGMT apresentam, em geral, um prognóstico mais favorável.

Não se desespere! Embora o glioblastoma seja um tumor desafiador, a medicina está evoluindo constantemente, e novas opções de tratamento estão sendo desenvolvidas. Estamos comprometidos em fornecer o melhor tratamento personalizado possível para cada paciente, com base nas características específicas do tumor e do perfil do paciente. Além disso, as terapias estão cada vez mais adaptadas às necessidades individuais, visando melhorar a sobrevida com qualidade de vida.

 

E a recidiva?

A recidiva é um evento comum, mas nosso objetivo é atrasá-la o máximo possível. Em caso de recidiva, reavaliamos as opções de tratamento, considerando novas terapias que estão em constante desenvolvimento, como inibidores moleculares, imunoterapia e tratamentos personalizados baseados em estudos clínicos recentes. A medicina está avançando em direção a tratamentos cada vez mais específicos e eficazes, adaptados a cada paciente e a cada característica do tumor. Nosso objetivo é sempre prolongar a sobrevida com qualidade de vida.

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