Na neurocirurgia oncológica, um dos objetivos mais importantes do tratamento cirúrgico é retirar a maior quantidade possível de tumor com segurança. Esse conceito é conhecido como “extensão da ressecção” e, em termos simples, significa o quanto do tumor foi efetivamente removido durante a cirurgia. Nas últimas décadas, diferentes estudos mostraram que, em muitos tipos de glioma, quanto maior a retirada do tumor, melhores tendem a ser os resultados em termos de controle da doença e sobrevida.
Isso acontece por algumas razões. Ao reduzir o volume tumoral, diminui-se a quantidade de células doentes que permanecem no cérebro. Com menos tumor residual, os tratamentos complementares, como quimioterapia e radioterapia, tendem a atuar em um cenário mais favorável. Em muitos casos, essa redução da carga tumoral também ajuda a retardar a progressão da doença e pode melhorar sintomas, como crises convulsivas, dor de cabeça e déficits neurológicos relacionados ao efeito de massa.
Mas é importante compreender que esse princípio não significa simplesmente “retirar tudo a qualquer custo”. O cérebro possui áreas extremamente delicadas, ligadas à fala, aos movimentos, à memória e a outras funções essenciais. Por isso, a decisão cirúrgica deve sempre equilibrar dois objetivos: remover o máximo possível de tumor e, ao mesmo tempo, preservar a qualidade de vida do paciente. É justamente por isso que a neurocirurgia moderna utiliza recursos como neuronavegação, ressonância intraoperatória, ultrassom intraoperatório e mapeamento cerebral em pacientes acordados (leia em nosso blog sobre esses temas!).
Em resumo, remover mais tumor pode, sim, melhorar a sobrevida, mas o verdadeiro benefício está na chamada ressecção máxima segura. O avanço da tecnologia e da compreensão biológica dos gliomas permite hoje um planejamento muito mais preciso, tornando a cirurgia não apenas um procedimento de retirada tumoral, mas uma etapa estratégica dentro do tratamento oncológico.
Referência:
1. Brown TJ, Brennan MC, Li M, Church EW, Brandmeir NJ, Rakszawski KL, et al. Association of the extent of resection with survival in glioblastoma: a systematic review and meta-analysis. JAMA Oncol. 2016;2(11):1460-9. doi:10.1001/jamaoncol.2016.1373.
- Hervey-Jumper SL, Berger MS. Maximizing safe resection of low- and high-grade glioma. J Clin Oncol. 2023;41(1):15-23. doi:10.1200/JCO.21.02187.


