O ultrassom intraoperatório é uma ferramenta cada vez mais utilizada na cirurgia de tumores cerebrais. Trata-se de uma tecnologia acessível, relativamente mais barata quando comparada a outros métodos avançados de imagem intraoperatória, e que pode ser incorporada à rotina cirúrgica com facilidade.
Como o ultrassom intraoperatório ajuda na cirurgia?
Durante a operação, o ultrassom permite que o neurocirurgião visualize o tumor em tempo real, diferentemente de exames realizados antes da cirurgia. Isso é particularmente importante porque o cérebro sofre alterações de posição ao longo do procedimento (o chamado brain shift), o que pode reduzir a precisão de métodos baseados apenas em imagens pré-operatórias.
Com o ultrassom, é possível:
- Localizar o tumor durante a cirurgia;
- Avaliar a extensão da ressecção;
- Identificar tecido tumoral residual;
- Ajustar a estratégia cirúrgica ainda durante o procedimento.
Disponibilidade e custo
Uma das grandes vantagens do ultrassom intraoperatório é sua ampla disponibilidade. Diferentemente de tecnologias mais complexas, como a ressonância magnética intraoperatória, o ultrassom é mais acessível, tem menor custo de aquisição e manutenção e pode ser utilizado em diferentes ambientes cirúrgicos, inclusive em hospitais com recursos limitados.
Isso o torna uma ferramenta extremamente relevante, especialmente em países com grandes desigualdades de acesso à tecnologia em saúde.
Impacto na extensão da ressecção
Diversos estudos demonstram que o uso do ultrassom intraoperatório pode aumentar a extensão da ressecção tumoral, um fator associado a melhor controle da doença em vários tipos de tumores cerebrais, especialmente os gliomas. Ao permitir a identificação de resíduos tumorais ainda durante a cirurgia, o ultrassom contribui para uma retirada mais completa e segura.
Uma ferramenta operador-dependente
É importante destacar que o ultrassom intraoperatório é uma tecnologia operador-dependente. A qualidade da imagem, a interpretação dos achados e a integração dessas informações à decisão cirúrgica dependem diretamente da experiência do neurocirurgião.
Nesse contexto, a capacitação profissional é fundamental. No Brasil, o tema vem sendo difundido por especialistas como o Dr. Cleiton Formentin, que atua como palestrante e já ministrou cursos e workshops dedicados ao uso do ultrassom intraoperatório na neurocirurgia, contribuindo para a formação e atualização de profissionais na área.
Em resumo
O ultrassom intraoperatório é uma ferramenta valiosa na cirurgia de tumores cerebrais: acessível, disponível, custo-efetiva e capaz de auxiliar na obtenção de maior extensão de ressecção. Quando utilizado por equipes experientes e bem treinadas, representa um importante aliado para tornar a cirurgia mais precisa e segura.
Referência
Dixon L, Lim A, Grech-Sollars M, Nandi D, Camp S. Intraoperative ultrasound in brain tumor surgery: a review and implementation guide. Neurosurg Rev. 2022;45:3319–3334. doi:10.1007/s10143-022-01774-6.


